26 de mai de 2010

O piano


Decifra-me.
Se me queres,
tenta-me.
Há portas que estão
apenas aparentemente
fechadas. Abre-as.
Uma delas dá acesso a
uma sala e dentro dela
há um piano. Entra.
E toca-me.
Se teus dedos produzirem
música, terás
me aprendido.


Nalú Nogueira

24 de mai de 2010

OTIMA SEMANA!!VOLTO MAIS TARDE..BEIJOS...



Se eu tivesse as sedas bordadas do céu.
Com bainhas de luz de ouro e de prata.
As sedas azuis e sombrias e escuras.
Da noite e da luz e da meia-luz.
Deitava-as todas aos teus pés.

Mas eu sou pobre e só tenho os meus sonhos.
Deitei-os todos aos teus pés
Pisa com cuidado,
É nos meus sonhos que estás a pisar.


W. B. Yeats 

19 de mai de 2010

BOA NOITE!!


Quando as pessoas se amam e querem se amar, selam um pacto: dormir juntas.
E quando se fala "dormir juntos" o sentido é duplo:
significa primeiro amar acordado em plena vigília da carne, mas,
depois, na lassidão do pós-gozo, deixar os corpos lado a lado, à deriva, dormindo, talvez.
Na verdade, os amantes, quando são amantes mesmo, mesmo enquanto dormem se amam.

Agora ouço esses versos de Aragón cantados por Ferat:
"Durante o tempo que você quiser nós dormiremos juntos".
E penso. É um projeto de vida, dormir juntos, continuamente.
A mesma ambigüidade: dormir/amar juntos, dormir/acordar juntos, ou então,
dormir/morrer de amor juntos.

Deve ser por causa disto que os franceses chamam o orgasmo de "pequena morte".
Deve ser por isto que os amantes julgam poder continuar amando mesmo através da morte,
como Inês de Castro e D. Pedro, que foram sepultados um diante do outro,
para que no dia do reencontro um seja o primeiro que o outro veja.
Amor: um projeto de vida, um projeto de morte.

Se numa noite dessas o vento da insônia soprar em suas frestas,
repare no corpo dormindo despojado ao seu lado.
Ver o outro dormir é negócio de muita responsabilidade.
Mais que ver as águas de um rio represado gerando uma usina de sonhos,
é ver uma semente na noite pedindo um guardião.
Pode ser banal, mas é isto: amar é ser o guardião do sonho alheio.
Os surrealistas diziam: o poeta enquanto dorme trabalha.
Pois os amantes enquanto dormem, se amam.
Se amam inconscientemente, quando seus desejos enlaçam raízes e seivas.
O pé de um toca o pé do outro, a mão espalmada corre sobre o lençol e toca o corpo alheio e, dormindo, se abraçam animados.
Quando isso ocorre, pode ter vários significados.
Talvez um tenha lançado um apelo silencioso ao outro:
"Ajude-me a atravessar esse sonho", ou:
"Venha, sonhe esse sonho comigo, é bonito demais".
E o outro, às vezes, sem se mexer, parte em seu socorro.
É que certos sonhos, sobretudo os de quem ama, não cabem num só corpo.
Transbordam os poros da noite e pedem cumplicidade.
E se há um pesadelo, aí um se agarra ao tronco do outro na crispação do instante,
e o corpo do parceiro é bóia na escuridão.
Por isto, no ritual do casamento,
quando o sacerdote indaga se os que se amam sabem que terão que se socorrer
na saúde e na doença, na opulência e na miséria etc...
deveria se inserir um tópico a mais e advertir:
amar é ser cúmplice do sonho alheio.

Passar a metade da vida dormindo ao lado do outro.
Há pessoas que vivem 25 anos - bodas de prata, 50 anos - bodas de ouro,
75 anos - bodas de diamante - ao lado do outro, e não sabem com que o outro sonha.
E há quem passe uma tarde, uma noite ou uma temporada ao lado de um corpo e
sabe seus sonhos para sempre.
Engana-se quem escuta o silêncio no quarto dos que amam.
Estranhos rumores percorrem o sonho alheio.
Não é o rugir do tigre pelas brenhas.
Não é o bater das ondas na enseada.
Nem os pássaros perfurando a madrugada.
São os sonhos dos amantes em plena elaboração.

E se numa noite dessas o vento da insônia de novo soprar em suas frestas,
olhe pela janela os muitos apartamentos onde pulsam dormindo os amorosos.

Quando se compra um apartamento novo, nas alturas,
alguns compram lunetas e ficam vasculhando a vida alheia.
Mas para ouvir o ruído dos sonhos basta abrir os ouvidos na escuridão.
Os sonhos pulsam na madrugada.

Era uma vez um chinês que toda vez que sonhava com sua amada acordava perfumado.
Deve ser por isso que, ainda hoje, o quarto dos amantes amanhece com um perfume
de almíscar, lavanda e alfazema.

E é comum achar troféus dos sonhos ao pé da cama de quem ama.
Quando se abre a pálpebra do dia, aí pode-se ver um unicórnio de ouro e uma coroa de rubis.
À noite os sonhos dos amantes se cristalizam e de dia se liqüefazem em beijos e lágrimas.
Quem ama diz boa-noite como quem abre/fecha a porta de um jardim.
Não apenas como quem viaja, mas como quem vai para a colheita.
Quando se ama, acontece de um habitar o sonho do outro, e fecundá-lo.

Affonso Romano de Sant'Anna - in O homem que conheceu o amor

17 de mai de 2010

DO AMIGO QUERIDO JEFH!!

CANTARES JEFHCARDOSO (JANEIRO 2010)
FOTO DO AUTOR....


Dizer-me há: é preciso mais alma.
Responder-te-ei: está toda empenhada
Dizer-me há: é preciso mais sonho
Responder-te-ei: já não mais acordo.
Dizer-me há: é preciso sensibilidade
Responder-te-ei: estou despido de toda minha pele
Dizer-me há: é preciso mais vida
Responder-te-ei: tens a única que possuo
Dizer-me há: é preciso verdade
Responder-te-ei: estou liberto de tudo.
Dizer-me há: é preciso acalmar a sanha
Responder-te-ei: nas chamas me consumo
Dizer-me há: é preciso que recue
Responder-te-ei: já me lancei ao profundo
Dizer-me há: é preciso tesouros
Responder-te-ei: tens o meu mundo
Dizer-me há: é preciso mais fome
Responder-te-ei: devoro-te,... crua.

15 de mai de 2010

Amplidão


Deixa eu te guardar a casa é sua
Faz em mim teu lar, me reconstrua
Queira me habitar onde eu me escondo
Faz deste lugar só seu no mundo
Eu quero ser onde você sossega a alma
Que chora e ri e encontra a calma pra sonhar sem dormir
Vem acender as luzes que iluminam o meu coração
Vem ter comigo sua parte da amplidão
De minha parte eu estou aqui


Chico Cézar 

13 de mai de 2010


“Eu nunca fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida,
pra paixão sem orgasmos múltiplos
ou pro amor mal resolvido sem soluços
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.
Não estou aqui pra que gostem de mim.
Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.
E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros,
mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,
em alegrias explosivas,
em olhares faiscantes,
em sorrisos com os olhos,
em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,
no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades..."

Maria de Queiroz


10 de mai de 2010

Sentada na areia descobri o que é ser livre
A liberdade é o sentido da vida
Nem sempre é necessário ter asas para voar
Basta ter  a vontade de ir longe
Acredito na ruptura dos limites
Quando se deseja algo é fácil encontrar uma maneira
Uma forma pra realizar aquilo que realmente faz sentido
Talvez, seja essa a fórmula para superação
Nem o tamanho, muito menos o peso importa
Quando se tem a vontade de ser livre
É o suficiente
Buscar possibilidades
Esgotar as alternativas
Ir além...

Mergulho no oceano  tentando megulhar em mim
Pra entender ser dois
Primeiro precisa ser um
Pra esquecer a dor
Tenho que passar por ela
Pra continuar livre
Escrevo...
Leio...
Vivo...
Sinto...
(fotos Gregory Colbert)

8 de mai de 2010

Lavanda

Macio, quente, protetor,
com perfume de lavanda,
era teu colo mãe!

Tudo na casa tinha aquele cheiro.
- É para ter sonhos liláses -
dizias, estendendo os lençóis.

E agora mãe, já velhinha,
teu cabelo tem além do perfume,
a cor da flor!

Lenise Marques


6 de mai de 2010

bom dia!!

Três amigas

Nós nos fizemos amigas pela coincidência de sentimentos na valorização do humilde, no gosto pelo autêntico, na ternura pelas coisas que conservam a sombra de uma presença humana: velhos objetos sem dono, lembranças do passado, restos indefesos do esforço - quase sempre malogrado - de viver. Assim, descobrimos que amávamos o que ninguém mais ama, que tínhamos a alma carregada de retalhos de antigos vestidos, pedaços de louças quebradas, relógios perdidos, retratos irreconhecíveis, livros que se nos desfaziam nas mãos, palavras algum dia ouvidas e como escritos num muro eterno diante de nós. (...) Desejamos que nada se perdesse do que um dia foi feito com a amorosa intenção de durar. Diante de um mundo ingrato e amargo, ávido de imediatismo, ousávamos dirigir também os nossos olhos para o que ia ficando para trás. Para o que se abandonava e esquecia. E ficamos amigas para sempre.


(Cecília Meireles)

5 de mai de 2010

MEU POETA MAIOR....



Mario de Miranda Quintana, assim mesmo - sem acentuação - como gostava de frisar, nasceu em 30.07.1906 em Alegrete (RS) e morreu em Porto Alegre em 05.05.1994.

Filho do farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e de Virgínia de Miranda Quintana, trabalhou com o pai na manipulação de medicamentos o que o fez trazer para seus poemas a noção de medida exata.

Foi jornalista a vida inteira, escritor e poeta da segunda geração do Movimento Modernista, autor de livros e poesias para crianças. Traduziu cerca de 130 livros, entre eles obras de Charles Morgan, Virginia Woolf, Rosamund Lehman, Proust, Aldous Huxley, Balzac, Giovanni Papini, Joseph Conrad, Lin Yutang, Marcel Proust, Merimée, Somerset Maughan e Voltaire.

Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre entre 1919 e 1924 e colaborou na revista Hyloa, editada pelos alunos.

O primeiro trabalho fora de casa foi cuidar da seção de literatura estrangeira da LIvraria Globo.

A família Quintana, totalmente francófila, enquanto conspirava contra o governo só falava francês para despistar os empregados. Mario alistou-se como voluntário do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre, em 1930, na tomada de governo por Getúlio Vargas. Também ele amarrou cavalo no Obelisco e morou no Rio durante seis meses.

Depois, voltou para Porto Alegre e de lá nunca mais saiu.


Escreveu Quintana:

"Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira"
.

E, brincando com a morte: "A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos".


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3 de mai de 2010

AGRADECIMENTO!!




http://selosemimosdosblogsdasoniasilvino.blogspot.com
Com muto orgulho que recebo estes Selos do Blog da amiga especial
sônia silvino! lindos minos!




Tenho somente a agradecer pelo incentivo...
você é muito especial.
beijos.



AGRADECIMENTO!!



http://biducadevoce.blogspot.com/2010/05/poodle-pianista.html

Este vídeo é uma homenagem à querida amiga pianista: Rita, do blog Legalmente Loira!

http://rita-bueno.blogspot.com

Lambeijos do BIDU!



SÔNIA EU ADOREI A HOMENAGEM HEHEHEHE OBRIGADA DE CORAÇÃO BJOS. TOCA MELHOR QUE EU RSRSRS

1 de mai de 2010

OTIMO FINAL DE SEMANA!!!BJOS....




“Em silêncio nos olhávamos por cinco, dez minutos,

ela com as mãos na altura dos quadris,

agarrando,torcendo a própria saia.

E corava pouco à pouco até ficar bem vermelha,

como se em dez minutos passasse por seu rosto uma tarde de sol.

A um palmo de distância dela,

eu era o maior homem do mundo,

eu era o Sol"


Chico Buarque
É UMA HONRA RECEBE-LO AQUI !